8° Concurso de Narrativas 2013 de Morro Reuter

Tema: “A magia do circo histórias faz lembrar…”

XX Feira do Livro e da Leitura
Complexo da SMEC, Morro Reuter-RS

Município de Morro Reuter-RS
Já há alguns anos venho prestando atenção às notícias sobre o incentivo à leitura desenvolvido no município de Morro Reuter, situado na serra gaúcha. Embora não conhecesse mais nada a respeito de sua história, este município passou a receber meu respeito, acomodando-se num lugar delicado em meu coração. Emancipado há vinte e um anos e somando desde então vinte feiras do livro, Morro Reuter recebe no mês de outubro vários escritores que vêm prestigiar sua Feira do Livro e da Leitura com o apoio do Instituto Estadual do Livro (IEL). Neste ano ocorreu a 8ª edição do Concurso de Narrativas, que recebeu e selecionou trabalhos ilustrados (educação infantil) e narrativas escritas a nível nacional, nas diferentes categorias de inscrição dos anos escolares, passando por estudantes de graduação e pós-graduação, categoria livre e categoria escritor, partindo da ideia de que o circo faz lembrar histórias.

Pouco subo a serra, e a BR 116 é uma rota raramente usada por mim que moro em Viamão e costumo ir ao Bosque de Canela subindo pela RS 020, passando pelo município de Taquara. Portanto, não tinham ocorrido até então destinos que me levassem a conhecer essa cidade. 


Obelisco de Livros:
marco do incentivo à leitura em Morro Reuter



Porém, na sexta feira à tarde, dia 25 de outubro, foi um dia especial. Subi a serra sozinha, dessa vez pela BR 116, primeiramente passando por Esteio, minha cidade natal, na região metropolitana, com destino a Morro Reuter. Com a distância de 75 km de minha casa, a viagem durou menos que duas horas. Foi ensolarada, quente, ensombreada pelo verde novo dos plátanos que brotaram na entrada da primavera. Logo após o município de Dois Irmãos, chego a uma placa que anuncia a Feira do Livro: entrada à esquerda da faixa. A primeira alegria foi ver o pórtico que acolhe os visitantes. Ah, parei para tirar algumas fotos.


Cheguei mais cedo, visitei a feira, verifiquei os livros. Levei uns presentinhos meus de Viamão à comunidade morroreutense: uma cestinha do povo Mbyá-Guarani, trançada na aldeia da Estiva, e o livro Povos Indígenas e Educação, no qual participo com um artigo, os quais foram entregues à Secretaria Municipal de Educação e Cultura, para que componha o acervo da Biblioteca Pública Érico Veríssimo.


Desde 1993. Álbum 2013

Estandes da Feira

Na sequência da programação, participei da inauguração do Memorial da Feira do Livro e da Leitura, na presença das autoridades locais, artistas, professoras, escritores, e a assessora do Programa Entre Estrelas e Letras, Dr ª Juracy Assmann.


Inauguração do Memorial da Feira do Livro de Morro Reuter
Percebi rapidamente que a história das feiras do livro confundia-se com a própria história do município e seus vinte e um anos de existência: são vinte feiras do livro! Durante as falas das testemunhas desta trajetória, percebi que eu também participava desta imbricação, pois o texto que inscrevi no concurso de narrativas 2013, só passou a existir para mim através da provocação lançada pelo próprio concurso. Não havia escrito anteriormente nenhuma história com o tema do circo, ou mesmo criado personagens semelhantes. Desafiada, percorri em mim lembranças foscas dos circos pequenos que acampavam e se apresentavam também numa cidade pequena como era a minha, Esteio. O estilo de vida circense se instalava em algum terreno baldio do município e lá ia a criançada curiosa procurar saber o que eles tinham de tão diferente da nossa pacata rotina familiar. 

Escrevi uma narrativa para esse concurso, inspirada por ele mesmo. Deixei as imagens brotarem, descartei as prematuras, conversei com as lembranças, despertei os encantamentos, reconciliei-me com as decepções. Por fim reuni e acatei as ensinanças do tempo, pois lá se foram algumas décadas de vida. Desta feita, nasceram dentro de mim dois personagens, cada um com sua história e sua vida, mas também imbricados um na história do outro. Com eles sonhei, me diverti e me emocionei. Pari uma metáfora que, confesso, doía um pouco enquanto a escrevia. Dor de escritor é meio diferente, dor de algo que se tira de dentro, sem se tirar de verdade. Algo que se revela, algo que se põe e se mostra. Uma história é gestada e parida; acontece na frente da gente, como um  filho. Para mim, esse pedaço que se tira de dentro e que também nos ajuda a conhecer um cadinho mais do que se é feito mesmo, vem travestido na vida dos personagens gerados na profusão da mente do escritor. 


Essa história foi inscrita na Categoria Livre do concurso, onde poderia se inscrever quem não fosse atualmente estudante e que não tivesse livro publicado na área da literatura. Na sexta à noite ocorreu a comunicação oficial dos resultados e a celebração de premiação. Minha narrativa “O Menino e o Palhaço”, foi contemplada em primeiro lugar na sua categoria.

Premiação da Categoria Ilustração aos alunos da educação infantil.
Secretário de Educação e Cultura, Vice-Prefeito, Prefeito Municipal e Dr ª Juracy Assmann. 
1° Lugar na Categoria Livre,
8° Concurso de Narrativas de Morro Reuter.
 Com a Dr ª Juracy Assmann Saraiva.

 Agora “O Menino e o Palhaço” aguarda mais um tempo antes de ser divulgada, pois pode vir a ser publicada como um livro ilustrado. 

LINKS

8° Concurso de Narrativas 2013 de Morro Reuter

3 pensou em “8° Concurso de Narrativas 2013 de Morro Reuter

  1. Que lindo Angela, parabéns! Imagino como deve ser a narrativa "O Menino e o Palhaço" pois teu escrever de como escreveste já é puro encantamento. Carinho da Aneri

Comentários estão fechados.

Rolar para o topo